Pílulas de História: Morro Tico-Tico, de pequena localidade rural a um dos maiores bairros de Bom Princípio
Secretarias: Educação, Cultura, Desporto e Turismo
Data de Publicação: 16 de abril de 2026
Quem conhece o Morro Tico-Tico de hoje talvez nem imagine que, há algumas décadas, a região era uma pequena localidade rural, formada por poucas famílias e marcada por dificuldades de acesso e infraestrutura. A história do bairro acompanha o próprio crescimento de Bom Princípio e revela como trabalho, chegada de novas famílias e investimentos ajudaram a transformar a comunidade.
Uma história que começa com as primeiras famílias
Não há registros que permitam precisar a data exata do início da ocupação do Morro Tico-Tico. Sabe-se, porém, que ela ocorreu a partir da década de 1850, no mesmo período da fundação de Winterschneiss, por Guilherme Winter.
Entre as primeiras famílias que viveram na região estavam sobrenomes como Ledur, Jacobi, Veit, Baumgratz, Vogel, Persch e Arnhold.
De onde vem o nome Morro Tico-Tico?
Entre os mais antigos, a localidade ainda é lembrada pelo nome alemão “Spatzenberg” — “Spatzen” significa pardal e “Berg”, morro.
Uma das explicações para o atual nome está justamente nas condições da região. Havia poucas vertentes de água, que costumavam secar nos períodos de estiagem. Dizia-se que não havia água suficiente “nem para um tico-tico”, uma ave comum na região, quanto mais para uma boa plantação. Assim teria surgido o nome Morro Tico-Tico.
A escola como ponto de encontro
Em 1961, a comunidade ganhou sua primeira escola primária, atendendo 19 alunos da 1ª à 4ª série. A Escola São José homenageava o pai de Jesus e também José Jacobi, morador que teve participação na viabilização da instituição.
O primeiro prédio era uma brizoleta, construção de madeira típica da época, associada ao período do governo de Leonel Brizola no Rio Grande do Sul. Em 1986, a antiga estrutura deu lugar a um novo prédio, de alvenaria e maior capacidade.
A chegada da indústria muda a paisagem
Um dos grandes marcos na transformação do Morro Tico-Tico ocorreu em 1984, quando a empresa Reichert Calçados, do Vale dos Sinos, adquiriu uma área de terras da família Ledur para instalar sua Filial 9.
A chegada da fábrica trouxe um intenso movimento de novos moradores, especialmente trabalhadores, e impulsionou o surgimento de estabelecimentos comerciais e outras atividades industriais. Aos poucos, a pequena localidade rural começou a ganhar novos contornos e a crescer.
Novos espaços para uma comunidade em crescimento
O desenvolvimento trouxe também a necessidade de novos serviços e estruturas. Em 1988, foi inaugurada a Creche Municipal Herta Maria, a segunda do município.
Em 2001, foi concluído o Ginásio Comunitário Padre Pedro Gregory, em homenagem ao pároco que atuou em Bom Princípio. Dois anos depois, em 2003, a EMEF São José ganhou um novo prédio, mais amplo e construído ao lado do ginásio, acompanhando a expansão da comunidade.
Um bairro que continua crescendo
Hoje, o Morro Tico-Tico tem quase dois mil habitantes e reúne uma estrutura que mostra a dimensão alcançada pelo bairro. São quatro instituições de ensino: EMEF São José, EMEI Herta Maria, EMEI Algodão Doce e CADE – Centro de Atenção e Desenvolvimento, voltado à educação especial da rede municipal.
O bairro também conta com Unidade Básica de Saúde, indústrias de móveis, componentes plásticos, produtos de limpeza e setor têxtil, além de diversos estabelecimentos comerciais.
De uma pequena comunidade rural, formada por poucas famílias, o Morro Tico-Tico se transformou em um dos maiores bairros de Bom Princípio. Uma história construída ao longo de gerações e que continua sendo escrita diariamente por quem vive, trabalha e faz parte desta comunidade.
Pílulas de História: conhecer a trajetória das nossas comunidades também é conhecer a história de Bom Princípio.
