Racing vence duas vezes e é campeão veterano
Data de Publicação: 18 de fevereiro de 2019
Crédito da Matéria: Alex Steffen
Fotos: Alex Steffen
Alguns minutos antes do jogo o camisa 12 do Racing, Samuel Winter, definira este como o seu último jogo em disputa de títulos municipais. O goleiro, agora com 51 anos, argumentou e sustentou o decidira. “Jogamos sozinhos. Uma falha pode ser decisiva. Pode terminar com o sonho de um time todo. Farei 52 anos, agora bastante, mas antes, vamos ao jogo, fazendo o melhor que puder”, citou Samuel.
O Racing entrou em campo mais do que nunca precisando do seu goleiro, afinal, não poderia levar muitos gols, melhor seria não levar nenhum. E precisava, também, dos seus matadores, afinal, tinha que vencer no tempo normal. Se nos infantis o São José havia vencido, nos veteranos, a ideia era diferente. Ninguém poderia colocar água no chopp da torcida alvinegra.
O São José começou bem, mas esbarrava em um Samuel muito seguro. A emoção do começo do jogo deu lugar à serenidade que sempre marcou a carreira. Na frente o Racing botou correria com Gilsinho e Charles. Mas, não foi uma jogada obtusa e veloz que veio o primeiro gol. A bola parada foi jogada na área. Jorge defendeu, na sobra, novo chute. Novo rebote. E aí, Charles, oportunista, fincou a bota na redonda e arrancou o grito de gol.
Jogo aberto. Clima quente, apesar dos pingos de chuva que surgiam do nada.
Segunda etapa e o São José voltara a ter chances, mas nada. A bola não entrava de forma alguma. Samuel se agigantava. Parecia ter mais de dois metros e braços elásticos. E no que é especialidade do ataque o Racing, duas vezes, na velocidade, a rede balançou. O segundo gol do Racing veio com Charles, que entrara em campo com a filhinha no colo. E o talismã deu sorte, permitindo que fizesse dois no jogo. E Gilsinho, veloz, temível, cassado, ofendido, driblou ao goleiro e só não entrou com bola e tudo porque não quis. 3 a zero, fim de jogo e bola na marca da cal.
A torcida estava, até, calma, parecendo que tudo terminaria bem. Pena, não foi bem assim, mas, campeonatos se conquista dentro de campo, não com gritos, empurrões ou socos. E foi a bola para a penalidade máxima. E a história se repetiu como tantas vezes. Dilli, o melhor de todos no gramado, batedor oficial do Racing, bateu firme, no canto, mas, Jorge catou. Virou para a torcida e comemorou o seu sucesso. Era a vez de Junior Selbach, de histórico sucesso pelo São José. E não é que o bom de bola bateu por cima, feito Baggio em 1994. Tudo igualado em zero.
Seguiram as cobranças e as conversões. Teve até um duelo com mais de 100 anos, se somadas as idades do batedor e do goleiro. O zagueiro, capitão e multicampeão Álvaro Schneider levou a melhor frente ao goleiro Samuel, que se despedia.
Era a vez do Racing, com Gilsinho. Frio. Gelado. Fatal. Bateu na redinha, bem junto ao poste, deslocando Jorge John. Era a vez do camisa 9, Baiano, o matador do São José. Gilsinho voltou e abençoou Samuel. Baiano, talvez ouvira ecoar as palavras do seu técnico, momentos antes da preleção derradeira: “em pênalti não se inventa. Bate firme. O goleiro que se vire pra pegar”. E Baiano bateu forte, com alguma segurança, mas, a experiência falou mais alto. Samuel encurtara o salto, deixando as pernas alongadas próximas ao meio do gol. E foi de canela que tirou a gorduchinha do seu caminho. Se evitou o gol e deu o título ao Racing, não foi capaz de conter a emoção. Ainda não parar de chorar e ser festejado, quando um afável e doce abraço recebeu. A filha, com um carinho gigantesco, invadira o campo, como parte da torcida, e saltou nos braços do pai. Se o pênalti ele espantou, a filhota agarrou, agora trocando a carreira de goleiro nos finais de semana, agora para a posição de pai, carinhoso, em tempo integral. “Nem em teus melhores sonhos tu esperava terminar a carreira assim, né?”, brincou o colega de time Leandro Dewes. E, Samuel dependurou as luvas, sem antes receber o troféu de menos vazado, ganhar medalha de campeão, e passar pouco um banho de água gelada.
O prefeito Fábio, o vice-prefeito Joãozinho, o vereador Seco e o diretor de esportes Dirceu “Pila” Fritzen, entregaram as premiações, dando início a festa, um pouco maculado pela confusão extracampo. Mas esta, o tempo apaga.
O São José, de melhor campanha, foi vice, com Jorge, Álvaro, Tiago, Elton, Flávio, Fábio (Baiano), Fábio, Robson, Ernani e Lairson; João Luis, Rodrigão, Eduardo, Maicon, Marcelo e Márcio; Junior Selbach e Ricardo Peres.
O Racing, do treinador e eterno zagueirão Vilson Roxo (que esteve em campo no lugar de Rodrigo), teve no elenco: Samuel, Rangel, Cristiano, Vini e André; Dilli, Nei, Fabrício e Melão; Charles e Gilsinho. Leandro, Limão, Lucas, Everton, Alcione e Sadol.
A festa, como é de costume, vai ao raiar do dia, afinal, esta é tradição do Racing, que caminha para os seus 50 anos de história.
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